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Novo Varejo na China: O futuro dos supermercados e das concessionárias

No texto O varejo físico irá acabar? apresentamos o conceito do Novo Varejo, desenvolvido por Jack Ma, fundador da maior empresa e e-commerce da China, a Alibaba. Este conceito é fundamental para qualquer empresário ou profissional que trabalhe tanto no mercado do varejo, quando na indústria, pois diz respeito ao futuro do varejo e como as pessoas passarão a fazer compras em ambientes físicos e como isso afetará o mercado de uma forma brutal.

Enxergando este movimento e olhando para frente, a China está se posicionando como pioneira em novos formatos de comércio onde cada vez mais se torna possível integrar os ambientes físicos com o meio digital, sempre tendo o cliente como foco principal. Observando isso, o objetivo do texto de hoje é trazer um pouco dessas novidades e tentar transmitir uma breve ideia do que podemos ver em um futuro muito próximo na Europa, nos Estados Unidos e, por que não, aqui no Brasil?

 

Supermercados: A mudança demorou, mas chegou

O supermercados são simplesmente o tipo de comércio mais utilizado no mundo. Todo ser humano que habita o planeta terra, seja no meio urbano ou rural, teve que algum dia se deslocar até um mercado, uma mercearia, uma quitanda ou até mesmo a um super(ou hiper)mercado para comprar alimentos. Atualmente é quase impossível viver de uma agricultura de subsistência, especialmente nas grandes cidades, o que faz com que as pessoas frequentem os supermercados com muita regularidade.

O grande problema é que geralmente ir ao supermercado é sinônimo de dor de cabeça para muitas pessoas, pois é necessário pegar o carro, estacionar, pegar um carrinho, procurar o melhor produto, no melhor preço, fazer comparativos, pegar a fila do caixa, carregar milhões de sacolas e passar por diversas outras experiências não tão agradáveis. Uma compra que deveria ser algo rápido, prático e prazeroso acaba virando exatamente o contrário.

Pensando nisso, não haveria lugar melhor, para iniciar uma grande mudança no varejo físico, que não fosse nos supermercados. Foi aí que surgiu o Hema, uma rede inovadora de supermercados, controlada pela Alibaba, que tem como missão revolucionar a forma como as pessoas compram seus alimentos. A compra de produtos no Hema é baseada em uma experiência voltada para os smartphones, seja de dentro de casa ou na própria loja.

Quando consumidor deseja saber alguma informação sobre determinado produto, basta apontar a câmera de seu celular para o código de barras e através do QR Code ele disponibiliza todos os dados e as informações relevantes sobre aquele produto: País em que foi fabricado, data de fabricação, data de validade, histórico de preços, dados sobre o fornecedor, sazonalidade, estoque e descritivos com receitas e curiosidades.

Além disso, eles possuem um aplicativo próprio que permite com que o pagamento das compras seja feito todo por meio dele, sem a necessidade de uma caixa para pagamento, e ele inclusive faz recomendações de produtos personalizados de acordo com o seu perfil e comportamento de compra. Não só isso, dentro das lojas Hema, existem áreas de produtos frescos, seja para consumo dentro do supermercado ou para entregas em até 30 minutos para residências em um raio de até 3km de um Hema.

A visão da empresa é de ter vários Hema(s) espalhados pela China, tornando-os mercados de bairro, que possam atender os consumidores que moram ou trabalham pela região de acordo com as suas necessidades, que são assimiladas pelo supermercado por meio dos dados captados e do comportamento de consumo daquelas pessoas, gerando mais eficiência e satisfação aos clientes. Tudo isso acabou até gerando uma especulação no preço de imóveis próximos às lojas do Hema na China! Tudo por conta da praticidade e conveniência.

 

Concessionárias: Remodelando a experiência de compra de carros

Jack Ma também enxergou uma grande oportunidade em redesenhar a forma extremamente tradicional como as pessoas compram carros, o que não muda há muitos e muitos anos. Apesar da internet servir como um grande filtro no processo de decisão de compra de um carro, possibilitando a verificação de especificações, preços, comparação de modelos e até mesmo um tour virtual, nada se compara com a experiência de ir até uma concessionária, sentar no carro, observá-lo internamente e principalmente realizar um test drive.

No entanto, geralmente isso é um processo demorado, pois exige com que a pessoa vá a uma série de concessionárias de marcas diferentes, fale com um número interminável de vendedores e tenha o seu processo de decisão atrapalhado por diversos fatores, enquanto isso deveria ser uma decisão individual, com privacidade e principalmente com tranquilidade.

Também pensando nisso, a Alibaba desenvolveu o que ficou conhecido na China como Tmall, que nada mais é do que uma vending machine gigante, que ao invés de vender chocolate ou refrigerantes, disponibiliza diversos modelos de carros para que a pessoa escolha e faça o test-drive sem a necessidade de falar com nenhum vendedor ou se deslocar para 5 ou 6 concessionárias diferentes para avaliar diferentes tipos de carro.

Os carros podem ser previamente selecionados e agendados através de um aplicativo, como também podem ser escolhidos na hora, com base no que está disponível em estoque. Ao entrar no Tmall o consumidor deve fazer um rápido cadastro, por meio de um terminal eletrônico (ou pelo app) e o sistema inclusive indicará as melhores opções de escolhas com base no perfil e nas necessidades de cada pessoa.

Outra grande vantagem do Tmall é que ele permite com que a pessoa faça o test drive por um período de até três dias, permitindo com que o potencial consumidor possa realmente sentir o que é dirigir aquele carro, entender algumas especificidades como posicionamento do banco, barulho, dirigibilidade, eficiência e até mesmo validar com membros da família e amigos. Este tipo de formato sem dúvidas quebra barreiras quando se trata de experiências no mercado automobilístico, é uma processo de compra muito mais tranquilo e sem qualquer tipo de pressão, além de possibilitar com que as pessoas de conectem com o veículo, fortalecendo o relacionamento entre marca e consumidor.

 

O que mais seria Novo Varejo?

 

Nas próximas semanas traremos mais exemplos e conteúdos com outras ideias e modelos inovadores que estão sendo praticados na China. A ideia é conseguir trazer uma realidade que pode parecer um pouco distante, mas que já está acontecendo hoje, em tempo real, do outro lado do mundo. De acordo o que foi demonstrado com a postagem Pontos de experiência: a salvação do varejo físico!, marcas americanas também estão se movimentando para aderir ao conceito do Novo Varejo, com o objetivo de bater de frente com os chineses para se manter como um grande concorrente global.

De acordo com Jeffrey Towson, professor da Peking University, isso não será fácil, pois “O Novo Varejo é uma extensão extremamente arrojada da Alibaba ao trazer uma estratégia puramente digital para o mundo físico, que traz uma economia participativa, criando uma integração ainda maior entre as marcas, os comércios e a sua participação nas atividades diárias de seus consumidores”.

 Ficou interessado? Deseja saber mais? Então fique ligado nas próximas postagens pois exploraremos o Novo Varejo e inovações da experiência dentro das lojas!

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