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O varejo físico irá acabar?

Uma das maiores discussões no meio do varejo atualmente é em relação ao futuro das lojas físicas. O crescimento de gigantes do e-commerce (comércio eletrônico), como a americana Amazon e a chinesa Alibaba, certamente colocam em risco o futuro de empresas que dependem de suas lojas físicas para sobreviver.  Diante deste cenário, será que estamos indo em direção ao comércio 100% eletrônico ou ainda há espaço para o varejo físico? Existem diversas opiniões sobre este assunto e no texto de hoje iremos explorar os dois lados da moeda, tentando compreender a visão de mercado das empresas e também as necessidades e comportamentos do próprio consumidor.

 

E-commerce

Boa parte do que está acontecendo no mercado de comércio eletrônico pode ser explicado pelo fenômeno da Amazon nos Estados Unidos. A empresa chamou muita atenção pelo rápido crescimento da empresa e também pelo market share (fatia de mercado) que ela conseguir adquirir em pouco tempo. A Amazon foi fundada em 1994 e seu foco original era apenas na venda de livros através da internet. Hoje, 24 anos depois a empresa está entre as companhias mais valiosas do mundo, tendo atingido um valor de mercado de 1 trilhão de dólares. Neste mesmo período, gigantes americanas como Sears, JCPenney, Nordstrom, Macy’s e Best Buy viram seu valor de mercado despencar em até 90%.

Grande parte deste movimento é devido ao modelo de negócios ultrapassado dessas empresas e a incapacidade de se adaptar às novas necessidades do consumidor moderno. A grande vantagem do e-commerce é que ele proporciona uma hiperconveniência ao consumidor, que possui não só inúmeras opções de produtos para escolher, como também a possibilidade de comprá-los de qualquer lugar, através de um smartphone ou computador. Além disso, o consumidor tem a possibilidade comparar preços, pesquisar sobre o produto, ler reviews e recomendações de outras pessoas que compraram o mesmo produto e tudo isso com a facilidade de comprar no cartão de crédito com apenas um clique.

Somado a isso, na grande maioria das vezes as lojas virtuais conseguem oferecer os seus produtos a um custo muito menor do que nas lojas físicas, pois como elas possuem menos custos de aluguel, funcionário, logística manutenção de lojas, a margem para descontos é maior, o que faz com que o preço final se torne mais competitivo. Por último, o consumidor enxerga a loja virtual como uma facilidade, pois ele não precisa pegar seu carro, dirigir até um local, pagar estacionamento, falar com vendedores, esperar em uma fila para pagar e outros diversos fatores que prejudicam a experiência de compra. Portanto, faz bastante sentido e se torna justificável toda essa visibilidade ao redor do e-commerce.

 

Varejo Físico

 É comum encontrarmos muitas matérias e opiniões indicando “a morte dos shopping centers” ou o “fim das lojas de rua“. Este tipo de afirmação é muito em função da exposição das grandes empresas de e-commerce e também à rápida mudança na forma de consumo das pessoas. No entanto, poucas pessoas param para analisar os números reais e quando o fazem acabam se surpreendendo com o real tamanho do mercado de varejo. No comparativo abaixo traçamos um comparativo entre o mercado de varejo chinês e o americano. Por conta de nossa proximidade com os Estados Unidos acabamos ouvindo muito mais sobre o que acontece por lá, no entanto, a China é um mercado ainda maior e está assumindo a frente das novas tecnologias e novas experiências para o varejo físico.

Como podemos ver, o e-commerce representa nos Estados Unidos apenas 10% de todo o mercado de varejo americano. Enquanto na China, país no mundo onde o e-commerce representa o maior percentual de mercado, ele é responsável ainda por apenas 20% do total do varejo. É evidente que estamos falando de mercados trilionários e que estão em rápido crescimento, contudo, identificamos também a enorme representatividade do varejo físico. No Brasil, para se ter uma ideia, esta relação é de 95% para 5%, ou seja, o e-commerce ainda tem muito espaço para crescer.

 

O varejo físico não vai acabar!

Analisando este cenário, podemos concluir que o varejo físico vai acabar, mas ele vai mudar! E muito. Outro fator que sinaliza para esta afirmação é o movimento das gigantes do e-commerce em relação a aquisição de empresas do varejo físico. A Amazon pagou 13.4 bilhões de dólares para adquirir o Whole Foods, uma grande rede de supermercados nos Estados Unidos.

A Alibaba pagou 2.6 bilhões de dólares pela Intime, uma grande varejista chinesa e mais 2.9 bilhões pela Sun Art, uma rede de shoppings. Neste mesmo ritmo outras empresas como JD.com e Tencent também estão gastando alguns bilhões de dólares para comprar empresa que atuem no varejo físico. Mas se o objetivo do e-commerce era acabar com as lojas físicas? Por que as maiores empresas de e-commerce do mundo estão comprando empresas com milhares de lojas físicas?

A resposta é muito simples, eles sabem que o varejo físico nunca vai deixar de existir. A grande diferença é que hoje as pessoas buscam por experiências. O consumidor da lojas física está muito mais informado, crítico e muitas vezes até já decidiu o que ele quer comprar. Portanto, os varejistas têm que passar a entender que quando uma pessoa dedica o seu tempo para ir a uma loja, ela quer se sentir especial, ela busca a personalização e este é o melhor ponto de contato que uma marca tem para causar um impacto positivo em seus clientes.

O famoso ponto de venda hoje tem que deixar de ser encarado apenas como um ponto de venda. Ele precisa passar a ser um ponto de experiências. Um local onde as marcas deverão criar um relacionamento emocional com seus clientes, com o intuito de trazê-lo para o lado da marca não apenas como um mero consumidor, mas como um parceiro que deseja fazer parte daquele grupo de pessoas que consomem aqueles produtos. Grandes marcas como Nike, Lululemon e Samsung já notaram este movimento e estão montando lojas voltadas 100% para a experiência do consumidor, algumas lojas não possuem nem produtos à venda, apenas para uso dentro da própria loja.

Além disso, as varejistas devem passar a entender que não existe mundo físico e mundo digital na cabeça das pessoas, para o consumidor, é tudo a mesma coisa. Portanto, é obrigação das lojas físicas desenvolver meios de integração com esses dois ambientes, trazendo a digitalização para dentro das lojas e também se fazendo presente no ambiente virtual.

A China está se tornando pioneira na compreensão desta mudança do varejo físico, inclusive o CEO da Alibaba cunhou um novo termo em 2016 que ficou conhecido como o “Novo Varejo”, que trata justamente da integração entre o mundo físico e o virtual. Sem dúvidas este é o início de um período de muitas mudanças onde veremos um grande processo de adaptação em empresas que estão acostumadas a fazerem a mesma coisa há dezenas de anos. A grande questão não será se o varejo físico irá sobreviver, mas quem irá sobreviver.

Ficou interessado? Deseja saber mais? Então fique ligado nas próximas postagens pois exploraremos o Novo Varejo e inovações da experiência dentro das lojas!

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